Gestores debatem programas de combate ao fumo no contexto da pandemia

Os desafios para os coordenadores municipais do Programa de Controle do Tabagismo no contexto da pandemia da Covid-19 foram tema de discussão de uma webinar promovida pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). O encontro virtual, realizado nesta quinta-feira (27/08), reuniu gestores e profissionais de saúde de todo o estado do Rio para discutirem a aplicação local do Programa Nacional de Controle de Tabagismo.

Em todo o Brasil, existem hoje mais de 3.500 coordenações municipais, que têm como diretriz principal a Política Nacional de Controle de Tabagismo. O objetivo dessa política é reduzir a morbimortalidade por doenças correlacionadas ao tabagismo, reduzindo a iniciação ao fumo – em especial, entre os jovens – e promovendo campanhas visando diminuir a aceitação social do tabaco.

A pedagoga e sanitarista da Coordenação de Prevenção e Vigilância (DITAB-CONPREV) do INCA, Maria Raquel Fernandes, destacou a urgência de divulgar o quanto o tabagismo contribui para transmissão do coronavírus. “O tabagismo é fator de risco para o desenvolvimento de formas mais graves da Covid-19, já que sabemos que uma das características do coronavírus são inflamações no pulmão, e o tabagismo gera inflamações crônicas.”

Como forma de ação, Maria Raquel chamou a atenção para políticas de conscientização elaboradas e divulgadas pelo Ministério da Saúde para o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/08). Entre essas iniciativas, estão a campanha disponibilizada no site do INCA, com guias e informações básicas sobre o tema, e vídeos sobre a cessação do tabagismo. “A pandemia representa um momento para falarmos sobre o combate ao fumo porque as pessoas estão hoje mais sensibilizadas para as temáticas da saúde”, afirmou.

Segundo o último levantamento do INCA de 2013, há uma prevalência de 12,5% de fumantes no estado do Rio. Desse número de fumantes, 49% já tentaram parar de fumar. Apesar da baixa cifra de fumantes, o administrador do Programa de Controle do Tabagismo da Divisão de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DIVDANT) da SES-RJ, Samir Feruti Sleiman, ressaltou que é preciso avançar. “Hoje são 1,6 milhão de fumantes fluminenses. Conseguimos atender, em média, 35 mil fumantes por ano para um contingente de 800 mil pessoas que tentaram parar de fumar. Temos muito trabalho pela frente.”

Segundo Samir, a SES-RJ constatou um aumento de casos de tabagismo, recaídas de ex-tabagistas e dificuldade de acompanhamento dos pacientes durante a pandemia. Para superar esse cenário, o administrador enfatizou a importância dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF) e unidades de saúde na manutenção dos programas a nível municipal. “Os profissionais de saúde são nosso ponto forte durante esse período. Vocês podem abrir um canal com a população para atrair mais pessoas para o tratamento e criar vínculos com os participantes do programa.” Entre as iniciativas sugeridas aos profissionais, estão a criação de vídeos explicativos sobre a abertura de novos grupos de apoio, divulgação dos horários de atendimentos, depoimentos de ex-fumantes e conscientização sobre os malefícios do tabaco.

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