Gestores discutem segurança do trabalhador de saúde na pandemia

A segurança dos trabalhadores das redes pública e privada de saúde durante a pandemia da Covid-19 foi o tema de um debate entre gestores do setor promovido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) nesta quarta-feira (16/09). No encontro virtual, foram apresentadas as ações e diretrizes desenvolvidas nas unidades de saúde para evitar o contágio pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-RJ, Claudia Mello, a demanda crescente por equipamentos de proteção individual (EPIs) desde janeiro foi uma fonte de aprendizado para todos os gestores. “Essa problemática aconteceu tanto na rede pública quanto na privada, e foi um limiar difícil no começo da pandemia. Fizemos várias reuniões à época, com a preocupação de não comprar todos os equipamentos de uma só vez. O uso consciente, não só dos EPIs, mas de todos os insumos, foi muito importante”, afirmou.

O presidente da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) e coordenador executivo do Proqualis/Fiocruz, Victor Grabois, considerou que a pandemia da Covid-19 reconfigurou o próprio entendimento que os profissionais de saúde tinham do tema.

“O trabalho passou a ser revertido para um cuidado especial do ponto de vista da contaminação, além de envolver todas as novidades que foram surgindo durante a pandemia”, disse Grabois, que ressaltou ainda o aumento da complexidade nos cuidados hospitalares e a necessidade de fortalecimento das equipes de saúde. “Não dá para falarmos de segurança sem falar de equidade. A Covid-19 traz para nós uma outra visão de segurança do paciente que não se restringe ao hospital ou à atenção primária, mas abarca o sistema de saúde como um todo”

A perspectiva de uma unidade de saúde pública foi trazida pelo diretor-geral do Hemorio, Luiz Amorim, que apresentou no encontro o plano de contingência da Covid-19, desenvolvido pelo próprio instituto, que inclui diretrizes sobre o uso correto de EPIs, regras de utilização do refeitório durante a pandemia e a doação de equipamentos por empresas e voluntários, por exemplo. Amorim também destacou a testagem para o coronavírus entre pacientes e servidores do Hemorio.

“Fizemos o teste em todos os funcionários que apresentaram sintomas ou foram contactantes de pessoas com Covid-19. Também testamos os doadores de sangue para checar qual a quantidade de anticorpos por Covid-19. Há 1.280 funcionários no Hemorio, e 1.151 deles foram testados”, destacou Amorim.

Como representante da rede privada de saúde, o diretor operacional do Hospital Quinta D’Or, Werner Scheinpflug, lembrou que um comitê de crise já havia sido criado em janeiro para lidar com a iminência da pandemia. “O comitê de crise não só tratou da prevenção, mas da organização de como seriam comprados os insumos. Ele coordenou de forma permanente o grupo de hospitais da rede privada, elaborando diretrizes e orientações conjuntas quanto à segurança do paciente”, frisou.

Scheinpflug também mencionou a participação da rede privada no apoio aos hospitais de campanha e o treinamento rápido de profissionais para atuar nessas unidades. “A decisão de montar um hospital de campanha de alta complexidade veio para esse propósito e funcionou bem”, avaliou o diretor.

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