Direitos dos idosos durante pandemia da Covid-19 foram debatidos em webinar da SES-RJ

A defesa dos direitos dos idosos durante a pandemia da Covid-19 foi debatida em webinar promovida pela Área Técnica de Saúde do Idoso (SAPS/SUBGAIS) da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-R) nesta quinta-feira (15/10). Profissionais de saúde e especialistas em Gerontologia discutiram os impactos do isolamento social sobre a qualidade de vida e a segurança de pessoas idosas e o papel da rede pública de saúde na vigilância à violência domiciliar.Para a gestora da Área Técnica de Saúde do Idoso, Jucema Gomes Galisa, o contexto atual representa uma oportunidade para analisar a vida de idosos não apenas no ambiente familiar, mas também em casas de repouso. “Muitas vezes, focamos nos idosos de um modo geral, mas esquecemos daqueles que vivem em instituições de longa permanência. Eles são responsabilidade dessas casas, mas também de toda a sociedade, incluindo da saúde e assistência social. É nesse momento que as redes de atenção em saúde precisam voltar o seu olhar de apoio e parceria a essas instituições.”

A psicóloga e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (CEDEPI), Maria Ponciano, ressaltou que a garantia dos direitos dos idosos envolve uma dimensão física, mental e espiritual, que significa proteção integral daquela pessoa. “Quando falamos de direitos dos idosos, falamos sobre direitos humanos. Somente estamos acrescentando a isso alguns condicionantes, prioridades e mecanismos para exigir dignidade, como acontece no Estatuto do Idoso.”

Maria chamou a atenção para excessos possíveis de ocorrer na manutenção do isolamento social dos idosos no contexto da pandemia. Segundo ela, é preciso assegurar que a permanência da pessoa idosa em casa não seja feita de forma abusiva, e o papel dos gestores municipais de saúde é essencial nesse aspecto. “Muitas pessoas, em nome de uma proteção contra o coronavírus, que ataca preferencialmente os idosos, ultrapassam o limite da racionalidade e se restringe a movimentação das pessoas idosas. Isso pode provocar depressão entre os idosos. É preciso um ponto de equilíbrio”, afirmou.

Casos de violência contra o idoso também são objetos a serem monitorados durante o período de isolamento social. A professora do Departamento de Epidemiologia e Coordenadora do Programa de Investigação Epidemiológica em Violência Familiar (PIEVF) do Instituto de Medicina Social (IMS) da UERJ, Claudia Leite de Moraes, reiterou que a necessidade de políticas de enfrentamento à Covid-19 específicas para contemplar a população idosa, que é considerada grupo de risco para a doença.

Ela frisou que a rede pública de saúde precisa aprimorar, por exemplo, as ações de promoção, prevenção e linhas de cuidado de doenças crônicas não transmissíveis. “Os idosos em situação de maior vulnerabilidade durante a pandemia são aqueles que moram sozinhos, sem parentes próximos, em instituições de longa permanência, condições socioeconômicas precárias ou que têm declínio das capacidades físicas ou cognitivas.”

A falta de estrutura para manter o distanciamento social entre populações de maior vulnerabilidade também pode incidir sobre a violência doméstica contra o idoso. “A convivência familiar 24h torna esse desafio pior ainda. Qual é o limite entre o isolamento protetivo ao idoso e a falta de apoio social a ele? Nem sempre esse ponto é fácil de identificar, sobretudo em famílias que têm condições de vida precárias.”

A professora apontou estudos e levantamentos que indicam um aumento da violência contra a pessoa idosa (VCPI), agravadas pelo contexto doméstico em que acontecem, já que esses casos tendem a ser sofridos em silêncio e encobertos por relações de proximidade e dependência. “Nesse contexto, é muito importante que a família, os vizinhos e as equipes de saúde e assistência social estejam atentas, pois, às vezes, pequenas pistas são oferecidas em uma visita de rotina no atendimento domiciliar.”