SES divulga informe técnico com informações sobre atendimentos, com base no preenchimento de informação sobre raça/cor

A Secretaria de Estado de Saúde elaborou uma análise dos resultados do indicador referente ao preenchimento com informação válida sobre raça/cor nas notificações de violência interpessoal e autoprovocada –relevância do indicador e análise. Acesse aqui.

Conhecer as características étnico-raciais de uma população adquire importância social e epidemiológica no estudo das análises de situação de saúde e, em especial, das desigualdades em saúde. Com o passar dos anos, esse tema vem assumindo importância estratégica para a promoção da equidade no SUS, na qualidade dos serviços de saúde, na elaboração de políticas públicas e na identificação das doenças e agravos predominantes nos diferentes grupos que compõem a sociedade brasileira.

Cálculo dos indicadores

Trata-se de um indicador proporcional que é obtido quando coloca-se o total de notificações de violência interpessoal e autoprovocada com o campo raça/cor preenchido com informação válida, por município de notificação, e, no denominador, o total de casos notificados em cada cidade, multiplicando o resultado por 100. A meta a ser alcançada é de 95% de preenchimento do campo com informação válida — quando estiver preenchido com uma das opções da variável, ou seja, diferente de “ignorado” ou “em branco”.
A partir do preenchimento do quesito raça/cor com informação válida, pode-se conhecer o tipo de violência predominante entre os negros. A tipologia é semelhante à violência que ocorre entre os brancos, quando a maior frequência é a violência física. Com relação aos pardos, o que chama mais atenção é a predominância da negligência ou abandono como forma de violência nesse grupo.

Evolução dos números nos últimos dez anos

No estado do Rio de Janeiro, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios contínua (PNAD, 2019), a população negra estimada é de 9.347.000 pessoas que representam 56% no total da população.
No primeiro quadrimestre de 2020, verificou-se que os resultados do indicador para o estado do Rio de Janeiro variou em torno de 80%, alcançando seu melhor desempenho no mês de abril, com 86,6% de preenchimento válido do quesito analisado. E no segundo quadrimestre, assim como no primeiro quadrimestre, variou em torno de 80%, sendo agosto o mês em que o resultado do indicador apresentou melhor desempenho, com 85,49% de preenchimento válido. O resultado foi inferior ao do primeiro quadrimestre, com uma redução relativa do percentual de 1,3%. Os resultados referentes ao indicador apresentaram desempenho heterogêneo entre os municípios e entre as regiões.

 

De acordo com os resultados obtidos, a pandemia da COVID-19 pode ter influenciado na queda das notificações e até mesmo na qualidade do preenchimento da Ficha de Notificação de Violência Interpessoal e Autoprovocada.

 

Na série histórica que cobre os últimos dez anos, observou-se que o estado como um todo não atingiu a meta de 95% de preenchimento do quesito, apresentando índice mais baixo em 2017 (61,75%) e o mais alto, em 2019 (82,54%). De 2010 a 2015, houve aumento gradual nos percentuais com algumas oscilações. Nos anos de 2016 e 2017, no entanto, os percentuais sofreram queda de mais de 20% e atingiram o menor índice da série. Em 2018, os números voltaram ao mesmo patamar de 2015, com pequeno aumento em 2019.

 

Proporção de Notificações de Violência interpessoal/ autoprovocada com o campo raça/cor preenchido com informação válida. ERJ, 2010-2019. Fonte: SINAN.

 

Hipertensão também preocupa

Também foi observado que os óbitos por doenças do aparelho circulatório são maiores na população negra em comparação aos brancos, assim como também na doença hipertensiva que está relacionada a doenças cerebrovasculares, doenças isquêmicas ou arteriais coronarianas e insuficiência cardíaca
Informe técnico