Seminário online reúne especialistas sobre hanseníase para discutir estratégias durante a pandemia de COVID-19

Na quarta-feira, 05, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) realizou um webinar com o tema “A hanseníase em tempos de COVID-19: atualizando as estratégias de enfrentamento”, por meio da Gerência de Hanseníase (GH), parte da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental (SVEA). Reunindo os principais atores envolvidos no combate à doença, o seminário online chegou a ter mais de 150 participantes simultaneamente, em celebração ao Dia Estadual de Conscientização, Mobilização e Combate à Hanseníase.

O evento contou com a presença virtual do diretor do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Gerson Pereira. “Lutamos para que a hanseníase deixe de ser um problema de saúde pública no país”, disse. “Para isso, precisamos quebrar a cadeia de transmissão, buscando ferramentas para promover o diagnóstico precoce e o tratamento para diminuição das incapacidades que a doença traz”.

O gerente de hanseníase da SES, André Silva, apresentou dados sobre a doença: atualmente, o Brasil conta com 92% dos casos das Américas, o que o torna o segundo país com mais casos de hanseníase no mundo. Com baixa detecção, o estado do Rio de Janeiro ocupa o sexto lugar no país em casos da doença diagnosticados já com Grau de Incapacidade Física 2. Um consenso durante a reunião foi a ideia de que é necessária a união entre a Atenção Primária, Vigilância, Estado e municípios para reverter este quadro.

Um caso de sucesso é o apoio matricial promovido pelo projeto da SES: Roda Hans, que correu todas as regiões do estado em 2019 realizando avaliações na população e capacitando equipes de saúde locais. “Iremos continuar com a assessoria a distância enquanto assim for exigido pela pandemia, devemos colocar nosso conhecimento à serviço da Atenção Primária”, declarou Maria Katia Gomes, parte do projeto e que, junto do dermatologista Egon Daxbacher, representou a Sociedade Brasileira de Dermatologia no webinar.

Coronavírus dificulta diagnósticos e logística de tratamento

O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Mário Sérgio Ribeiro, contextualizou a discussão com uma análise sobre a pandemia e os maiores afetados por ela no estado. “A orientação pelo isolamento social e o remanejamento das equipes de saúde por conta da COVID-19 afetaram a cobertura vacinal e o diagnóstico de diversas doenças”, disse. A coordenadora de Gestão de Assistência Farmacêutica da SES, Rafaela Peixoto, também observou dificuldades na obtenção e distribuição dos medicamentos para tratamento da doença devido ao coronavírus.

Buscando oferecer um tom de esperança em um momento tão difícil, o chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Milton Ozório Moraes, compartilhou novidades sobre as pesquisas que vem realizando, mas que foram pausadas por conta da pandemia. Uma delas seria o primeiro teste molecular no mundo com boas práticas de fabricação, com vias de ser registrado pela ANVISA, e outro nos mesmos moldes que o teste rápido para HIV atua. “Assim que a pandemia permitir, o Ambulatório Souza Araújo iniciará estudo de vacina terapêutica contra a doença, a primeira vacina recombinante do mundo, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos”, revelou.

Também participaram da reunião representantes das secretarias municipais de Saúde de Duque de Caxias, Paraty e Rio de Janeiro, compartilhando suas estratégias em campo para manutenção do tratamento dos pacientes. O secretário de Saúde de Niterói, Rodrigo Oliveira, reforçou a importância da integração na gestão interfederativa para solução do problema. “Nosso principal desafio é a desnaturalização da doença, do sofrimento”, disse. O coordenador nacional do MORHAN – Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, Artur Custódio, complementou: “o medo de sequelas, o estigma e preconceito sempre acompanharam os pacientes de hanseníase. Agora, toda a população sabe como são estes sentimentos. Precisamos trabalhar com essa empatia.”

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