Tuberculose em tempos de Covid-19 é tema de encontro online da Secretaria de Estado de Saúde

Para marcar o Dia Estadual de Conscientização, Mobilização e Combate à Tuberculose, 6 de agosto, data que também homenageia a criação do Fórum de ONGs de Tuberculose, aconteceu, na última terça-feira, 11 de agosto, um encontro online com o tema: “Tuberculose em tempos de Covid-19”, evidenciando como a pandemia tem dificultado a detecção de casos no Brasil e no mundo. Quem esteve presente pôde conferir as palestras da médica do Ministério da Saúde, Fernanda Dockhorn Costa, da médica infectologista da SES, Ana Alice, e do professor e médico sanitarista da Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), Emerson Merhy. A gerente de tuberculose da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), Patricia Moza coordenou o evento

Patricia Moza, abriu o evento agradecendo sua equipe e os coordenadores das regiões pelo empenho e o comprometimento na luta para manter as atividades do programa funcionando mesmo com todas as dificuldades que a pandemia vem causando. Em seguida, Adriana Justo, da Superintendência de Educação Permanente da SES, reforçou a parceria que a superintendência vem fazendo com a área de tuberculose, o que tem permitido realizar muitas ações em conjunto, sempre no intuito de compartilhar conhecimento.

A primeira a palestrar foi Fernanda Dockhorn. Ela falou sobre o impacto da pandemia e ações do programa de tuberculose no Brasil. Citou dados da Organização Mundial de Saúde, que mostram redução de 25% na detecção dos casos de tuberculose em três meses e 13% do aumento das mortes. “Trabalhar com tuberculose já é complexo, ainda mais neste momento de pandemia. A gente se unir para dar visibilidade a esse tema é sempre muito importante. Para além disso, é necessário continuar as atividades consideradas essenciais, tais como diagnosticar e tratar a tuberculose, garantir recursos humanos para o tratamento e divulgar a prevenção”.

Ana Alice falou sobre os desafios para o controle da doença no Rio de Janeiro, visto que os casos no estado estão aumentando. Ela também afirmou que o maior número se concentra na região metropolitana. Outro tópico citado por ela foi a alta taxa de infectados dentro dos presídios. “No sistema prisional, por exemplo, o aumento de casos é grande. Isso já era esperado, por conta das condições que essas populações vivem. Quando a gente consegue detectar uma pessoa com tuberculose, ela já passou para várias outras. Para melhorar esse fator, o ideal seria a implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) para toda a população penitenciária”, avalia a médica.

Fechando o ciclo de palestras, o professor Merhy debateu sobre a interrupção do tratamento da tuberculose. Para ele, as interrupções nos tratamentos das doenças só serão diminuídas quando forem criadas incorporações tecnológicas no processo de cuidado da tuberculose. “Remédios e tratamentos são importantes, mas, para impactar, é necessário gerar novas experiências de acolhimento e valorização do saber do outro sobre a sua própria existência”.

Ainda sobre o tema, Patrícia Moza apresentou as ações implementadas pela equipe da Gerência de Tuberculose da SES para diminuir essa dificuldade de detectar a doença em tempos de Covid-19. Segundo a profissional, as ações do estado consistem em apoiar os municípios nesse momento de pandemia para que não haja descontinuidade nas atividades do programa de controle da tuberculose nos municípios. “Fizemos várias reuniões virtuais com todas as regiões de saúde estadual, com o município do Rio de Janeiro, com os hospitais que são referências para internação de tuberculose (Hospital Santa Maria e Hospital Ary Parreiras), com as unidades de referência terciários para tratamento de pacientes com tuberculose resistente e com as equipes da SEAP do sistema prisional. A maioria dos municípios informou que estão voltando às atividades normais aos poucos mas que em nenhum momento houve paralisação das ações do Programa de Controle de Tuberculose no municípios, e que a diminuição de busca ativa foi uma orientação do Ministério da Saúde, no início da Pandemia para não colocar os pacientes e os funcionários de saúde em risco”, explicou.

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